Mabel Velloso já escreveu as biografias de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Vinícius de Moraes e Irmã Dulce e agora mandou muito bem com o livro: O Sal é um Dom, com fotografias de Maria Sampaio, apresentações de Maria Bethânia e Vivaldo da Costa Lima (Corrupio/ Nova Fronteira 2008 124 pgs).
Veja o site que ótimo! dá pra ler um capítulo online.
Sim, Mabel é irmã de Caetano, Bethânia e também de Roberto, Clara Maria, Rodrigo, Nicinha e Irene e todos filhos de dona Canô e Zeca.
Compilações e codificações de receitas e histórias familiares em torno do fogão são extremamente importantes para o registro da culinária brasileira e acima de tudo valorizam a tradição da cozinha familiar, um assunto que me interessa muito.
O livro é um verdadeiro prato cheio para quem gosta de cozinha de perfume marcante que impregna a cozinha e a sala de tanto apetite E cheirinho da comida é o teaser de boa refeição. Fora que a edição é linda e elegante com capa dura e uma foto maravilhosa.
Li que Caetano gosta muito de moqueca de tainha preparada nos almoços que reúnem a família toda em Santo Amaro da Purificação, cidade que fica a 80 kilômetros de Salvador em pleno Recôncavo Baiano.
Além disso, “O Sal é um Dom” tem fotos de álbum de família e uma pitadinha da vida de dona Canô entre sua família e uma grande mesa.
Dona Canô, é uma filósofa sábia bahiana, assim dá título ao livro: “O sal é um dom, nem demais nem de menos”. Eu diria mais, o sal é uma virtude! há os que sabem colocar e aqueles que são verdadeiros desastres.
Outra frase dela no livro que adorei é: “Olhos maus não podem olhar as claras em neve senão o bolo sola”. É isso ae, tira o olho!!!!!!
Tô apaixonada por Canôzinha e encontrei esse videozinho em que ela fala de um dos pratos descritos no livro, a Maniçoba:
O ritmo da receitas descritas é bem aquele de caderno de vó, vai direto ao ponto. Dá pra sentir o temperinho fritando na panela! e perceber aquela praticidade e naturalidade caseira no preparo dos pratos.
Muito útil a seleção de receitas de arroz, com o aproveitamento de restinho, matéria-prima que toda casa tem todo dia. Outro tipo é o arroz de viúva, feito com leite de coco no lugar da água, são receitas simples assim. Tem bolinho de aipim, caruru, cocada preta, sopa de cebola, galinha de xinxim, farofa de mel….ai quero fazer todas!!!! são receitas conhecidas mas que eu não tinha a menor ideia de como começar! Agora já sei!
E pra terminar fica um outro video com Dona Canô tão fofa junto com a family cantando Oração à mãe Menininha. Escolhi esse porque desde pequena ouvia falar em mãe Menininha do Gantuá, cantava esta música e nem fazia a menor idéia de quem fosse, mas o nome dela e essa canção na minha infância tinham poder! A primera vez que fui pra Salvador em 96 sabia bem quem foi mãe Menininha e fiz questão de ir até o terreiro!! é uma das melhores lembranças de lá!
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PROMÔ da Dona Canô!
Para você concorrer ao livro “O Sal é um Dom” gentilmente oferecido pela Ediouro basta um comentário aqui com o tema:
Minha família tem receita!
Você prepara um comentário contando qual a receita mais antiga, interessante, rara, bizarra…. que sua mãe prepara, sua avó fazia tbém porque aprendeu com sua bisavó….
No dia 29 de dezembro a melhor história será escolhida e informarei o felizardo que ganhará o livro de presente!
* O Sal é um Dom é uma boa dica de presente para quem gosta de cozinhar no dia a dia e aprecia a culinária baiano-brasileira!!!! Delícia de livro!!





11 comments ↓
Merece concorrer mesmo!
Na tentativa de concorrer ao maravilhoso livro da C. Canô, vale uma lembrança, de uma das avós, Alzira, que entre muitas receitas inesquecíveis, ela tinha uma de ‘mantecal’ que por incrível que pareça, ninguém aprendeu.
Daí uma certa saudade… ninguém da família sabe fazer do jeito que ela fazia… e já se tentou de tudo… os que se compram por aí… nem de muito longe se parecem… ah o mantecal da vó alzira…
Por isso, deixo um recado: aprendam todas as receitas de família… um dia farão falta…
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Noutro instante, deixo uma sugestão para aproveitarmos aquele arroz que sobrou… bota o arroz na panela, um bom 1/4 de manteiga, um tico de óleo, sal, duas folhas de loro… fogo brando…
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Cogumelos Frescos cortados ao meio… reserve numa outra panelinha, com um copo generoso de vinho… e o suco de uma laranja…
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Quando o arroz estiver no ponto, cremoso, adicione os cogumelos com o vinho e o suco…
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Apure… reduza… depois tire as folhas de loro…
Sirva cada porção ao lado de uma banana decorada com mel.
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É lindo, ao menos pra mim… minha receita de família de alguns domingos à noite…
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Que promo linda… vou mandar minha historia sim… =)
Receita de familia
Minha afamilia tem uma receita que é do dia a dia mas que ninguem esquece, é tempero do feijão, primeiro minha avó pegava um dente de alho e cortava bem fininho, depis colocava outro dente no amassador e amassava com o alho, colocava uma colher de banha de porco na panela, deixava esquentar colocava o alho picado, logo depois o amassado , dois pedacinhos de cebola , uma pimentinha de cheiro picadinha…e o feijão, de prefêrencia cozido no dia, amassava com uma estrela de ferro…ai que delicia!!!!!!Grosso bem temperado… Eu faço, meu pai faz, minha tia faz… Mas o da minha avó é inesquecivel…
A minha avó, que morava em Tupi Paulista, no interior de SP, fazia uma rosquinha de pinga que alimentou a gula de gerações na família. O meu pai, quando veio estudar em SP, trazia sempre na mala potes com as rosquinhas para os amigos da república onde moravam. Eu, quando pequena, correndo em volta da enorme mesa, ajudava a fazer algumas rosquinhas mais “desengonçadas” e depois a molhar a massa na pinga e no açúcar.
A receita da massa, no entanto, ninguém aprendeu. E, infelizmente, essas coisas são raras de se encontrar na internet. Nenhuma receita é igual à da vó Nega.
Uma receita que foi passando de filho(a) para filho(a) foi o pirão indíginea da minha bisavó que provavelmente ela aprendeu com a bisavó dela.
A receita é muito simples mas é muito gostosa.
=Igredientes=
1kg Farinha de milho em flocos AMARELA (cuidado, não dá certo com farinha branca)
1 Frango em pedaços sem pele
1 tablete de Caldo Knnor (esse provavelmente entrou na receita nas últimas 3 décadas e substituiu algums outros =D )
1 Cebola
Opcionalmente pode se colocar temperos como pimenta, salsinha e cebolinha a gosto.
=Preparo=
Refoga a cebola em um pouco de óleo em uma panela de pressão. Depois coloca-se os pedaços do frango (pode até colocar miudos caso você goste). Mexa os pedaços até dourarem um pouco, acrescente água e demais temperos.
Cozinhe na pressão por 20 a 30 minutos, tempo superior ao necessário para cozinhar o frango pois ele deve soltar bastante caldo na água.
==Cuidados na hora de servir==
Em pratos fundos, colocar um pouco de farinha e colocar caldo. Amassar a farinha até que fique com consistencia de “papinha de nenem”, nem muito caldo e nem muito seca. Coloque pedaços de carne a gosto.
Pronto, receita vindo de geração em geração há mais de um século.
OBS: Se quiser trocar o tablete de caldo por sal funciona, mas deixe refogar mais a carne com a cebola para soltar mais gosto e talvez seja necessário deixar um pouco de pele para criar gordura, caldo e gosto.
Minha mãe morreu quando eu tinha 8 anos e tenho poucas lembranças dela, mas todas são relacionadas com comida, pois antes de morrer ela fazia um curso de culinária no SESI, e sempre ela voltava pra casa trazendo algo que tinha aprendido para a gente provar.
Minha lembrança mais antiga, é o gosto do purê de batata com ovo frito, de gema mole, que ela fazia quando eu não queria comer nada e me dava na boca.
Quando fui crescendo, passei a gostar muito de cozinhar, e sempre com pessoas que eu amo perto. Primeiro era minha vó, fazendo salgadinhos e pizza de sardinha, e hoje são minhas filhas, que apesar de ainda não serem adultas, me acompanham nas aventuras culinárias.
Cozinhar para nossa família é um momento de amor, de troca, e além dos cheiros e gostos maravilhosos, temos sorrisos, conversas e algumas vezes lágrimas, de saudades e alegrias.
Minha mãe e suas irmãs são todas cozinheiras de mão cheia, dom provavelmente herdado de minha avó. Ela tinha um bar no centro de Adamantina, interior de SP, onde brindava a freguesia com suas delícias.
Existem vários pratos do qual elas se lembram mas que nunca aprenderam a fazer, entre eles um sorvete que era sucesso na cidade, ainda na época das máquinas que resfriavam a massa com um tambor de gelo, água e sal. E outros que elas aprenderam com a mãe e continuam fazendo (pra nosso deleite).
Desses, o que mais tem valor pra mim é um prato simples, comum em qualquer cozinha, o bife a cavalo. Não podia ser algo mais simples, não é? Mas eu vou explicar o porquê desse prato ser tão especial pra mim.
Toda vez que minha mãe faz bife a cavalo meu pai lembra de quando eles se conheceram. Ele viajava muito pro interior e sempre ficava hospedado na pensão de minha tia, ia almoçar no bar de minha avó e comia o tão famoso bife a cavalo. E pelo que ele conta, metade dos trabalhadores da cidade faziam o mesmo.
É um prato super simples, mas o da minha avó tem uma variação, leva molho de tomates. Mas não tem como errar: Sobre um bife, colocar dois ovos estrelados e cobrir com molho de tomates e cebola (feito na mesma panela em que se fritou o bife). Pra fazer um bife a Camões se coloca apenas um ovo sobre o bife (o gajo era caolho, ué!).
Acredito que comida não é apenas alimento para o corpo, muitas vezes é também alimento para a alma!
[...] Veja post anterior! aqui pra entender! [...]
Ah Lili… que pena que a promoção já passou.
Me apaixonei pela Dona Canô com esse seu post. Vou procurar o livro pra comprar. Deve ser fascinante =)
Muito bom blog, adore e coloquei nos favoritos.
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