3 Meninas Desaparecidas

Pra mim o desaparecimento é a pior coisa que pode acontecer com uma família. A falta de uma certeza, de saber o paradeiro de alguém querido é a pior tortura que existe.

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Já trabalhei em um programa na TV Bandeirantes que tinha um espaço diário para divulgar fotos e histórias de pessoas desaparecidas. Como eu era a produtora mais nova, sempre ‘empurravam’ pra mim as pautas do ‘gente procurando gente’ que ninguém gostava de fazer. Mas eu no fundo eu gostava porque efetivamente era um dos únicos quadros que prestava, o resto era pirotecnia televisiva da mais vazia…

Eu atendia pessoas de todos os lugares do Brasil, de todas as idades, procurando mãe, pai, tia, primo, irmão, filho, avó, sobrinho…pessoas desaparecidas há 3 dias, 10 meses, 20 anos! Mas um dos casos que mais me marcou foi meio às avessas, foi o de um reencontro de uma menina de rua com sua verdadeira mãe.

Ela já adolescente, de uns 16 anos foi até a nossa produção porque procurava pela mãe. A história dela era cheia de encontros e desencontros. Havia mais de 5 anos que ambas não se viam. Só que pelos relatos da menina, percebi que a mãe dela sempre ‘dava um jeitinho’ de sumir. Tava na cara que a menina era rejeitada.

Enfim, depois de uma chamada durante o programa, recebemos um telefonema de alguém que dizia conhecer a mãe e sabia até onde ela morava porque era seu vizinho. deslocamos um outro produtor para apurar a indicação. E como dizia minha avó, foi batata! a mãe assumiu que NÃO QUERIA A FILHA. Mesmo vendo o apelo da menina que contava os perrengues da vida na rua a mulher não se comoveu.

O que fizemos foi levar a mãe no programa, fizemos o reencontro de mãe e filha e transmitimos o fingido e frio apelo da mãe por alguém que pudesse cuidar da menina pois ela se dizia sem condições.  No mesmo dia apareceu uma senhora vinda do interior de São Paulo. Ela era tão fofa e a empatia entre a menina e a mulher foi tão grande que achei que a melhor coisa foi mesmo ela NÃO TER FICADO COM A MÃE.

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Me comovi com esse pedido! Recebi no email faz um mês, só consegui postar agora.

Há quase 32 anos Chica Mariani (80 anos) uma das fundadoras das Abuelas de Plaza de Mayo procura por sua neta Clara Anahí Mariani. Os pais Diana Teruggi e Daniel Mariani  foram assassinados durante a ditadura nos anos 70 e a menininha que havia sido sequestrada junto com a mãe e após isso foi dada como morta pela polícia. Mas a avó tem suas razões para crer no desaparecimento e não na morte.

Só com muita esperança para poder ter forças depois de tanto tempo ainda empenhar uma grande campanha para encontrá-la.

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O outro caso é o da inglesinha Madalleine McCann, desaparecida há 1 ano e 7 meses em Portugal. Essa história é muito triste e complicada! Já li um monte sobre o caso e até hoje todos os suspeitos, inclusive os pais dela já foram descartados como ‘algozes’. Faz alguns dias ele gravaram mais um apelo em busca da filha, nele eles dizem: “Será nosso segundo Natal sem nossa filha. Por favor, busquem que não tenhamos também um terceiro”.

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