Palavras sem Fronteiras

Sergio Corrêa da Costa foi um apaixonado pela língua francesa, herança de sua mãe. E em 45 anos de carreira como diplomata, nunca tinha passado nem um só mês na França. Mas quando se aposentou, se estabeleceu em Paris e lá que surgiu a idéia de buscar palavras e expressões em francês que ultrapassavam suas fronteiras e que ganharam o mundo. Inicialmente sem grandes pretensões, o projeto tomou corpo e acabou virando uma obra de referência no campo do vocabulário universal e agora uma exposição Palavras sem Fronteiras – Mídias Convergentes que abre dia 6 de abril no Museu da Lingua Portuguesa por ocasião do Ano da França no Brasil.

Palavras sem Fronteiras é, nas palavras do próprio criador “uma coleção de palavras que viajam pelo mundo” e foi publicada originalmente na França sob o título Mots sans Frontières. O livro tem 1000 palavras e expressões mais 16 mil exemplos de seus empregos. O material foi recolhido pelo embaixador durante dois anos em jornais de 15 países, de oito línguas, que refletem 46 idiomas e acabam por integrar uma espécie de “vocabulário sem fronteiras”, que aumenta sem cessar e aproxima as culturas.

Corrêa da Costa coletou palavras com vocação cosmopolita, ou seja, que viajaram intactas ou com mínima variação para as demais línguas e se incorporaram a elas. Hoje, podemos pedir no mundo inteiro um capuccino, ou uma pizza, um carpaccio, lasanhas, um espresso. Os grafitti, os paparazzi, as prima donnas, as divas, os dilettantes, a extravaganza, o imbroglio fazem parte de nossas vidas. Quem não se interessa pela dolce vita, o farniente, os gran finales, até as proezas da mafia ou dos maffiosi?

Acho que o mais bacana da expo é a exibição de 12 criações em videopoesia nas quais cada artista interpreta simbolicamente, em linguagem virtual, uma da palavra identificadas por Corrêa da Costa, como por exemplo:

Abat-jour (fr); abajur (po) – Walter Silveira
Barroco (po); baroque (fr, in); Barok (al) – Marcos Bonisson
Chérubin (hebreu); querubim (po) – André Vallias
Samba (po); samba (fr,in) – João Bandeira
Sertão (po); sertão (fr,in) – Gabriel Tupinambá

As sessões no auditório serão apresentadas às 11h e 12h30, 14h e 15h30.

Acessibilidade para pessoas com deficiência visual

A exposição também estará acessível às pessoas com deficiência visual com consultoria da Museus Acessíveis e apoio da Fundação Dorina Nowill para Cegos. Serão oferecidas visitas educativas inclusivas com educadores capacitados para conduzir cegos no museu e proporcionarem um roteiro áudio-descritivo da exposição.

Além das visitas, a partir do dia 04 de maio, será oferecido acesso aos textos de curadoria da exposição, uma pesquisa sobre as palavras de língua francesa e o livro Palavras sem Fronteiras em versão resumida em terminais multimídia na livraria da Imprensa Oficial.

Os textos e o livro estão são produzidos pelo Departamento de Livro Digital Acessível da Fundação Dorina para Cegos, com a tecnologia DAISE, que transforma os conteúdos textuais visuais em versões auditivas com diferentes possibilidades de busca.


Museu da Língua Portuguesa

Exposição Palavras sem Fronteiras – Mídias Convergentes
De 06 de abril a 14 de junho
Praça da Luz, s/nº, Centro
Bilheteria: de terça a domingo, das 10 às 17hs
Museu: de terça a domingo, das 10 às 18hs (não abre às segundas-feiras)
Ingresso: R$ 4,00 (quatro reais) – pagamento somente em dinheiro
Aos sábados a visitação ao Museu é gratuita.

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2 comments ↓

#1 Sara Mello on 04.06.09 at 8:06 am

Lili!!! Que desbunde esse seu blog!!
Transborda cultura, minha gente!!
Adorei. Vou visitar sempre.
bjs

#2 Tatiane on 05.15.09 at 2:17 am

Adorei essa exposição realmente muito boa, vale a pena visita-la, tudo que esta excrito aqui retrata toda a historia da exposição.
Obrigada pelo incentivo.

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