As lixeiras da Terra

Recebi hoje pela manhã email do Jaime Prades, [artista que dispensa comentários] com fotos de sua mais nova ação artística cidadã + um texto lindo sobre o que de fato uma LIXEIRA representa. Segue reproduzido na íntegra e junto vai um convite para acompanhar o ‘trabalho em progresso’ neste feriado no Centro de São Paulo porque uma lixeira não é uma lixeira não é uma lixeira é um retrato do nosso consumo e da cultura do descarte.

Se você gostou, divulgue também seu blog ou Twitter. Dê os créditos do texto e vá em frente!

 

As lixeiras da Terra

 
Domingo passado a Claudia e eu passamos o dia adesivando meus ícones em dois quarteirões entre o Municipal, a Praça da República e a São João com a Ipiranga.Enquanto fazia as lixeiras, com uma visão mais próxima, um quadro mais “fechado”, ela fez um ensaio fotográfico. Algumas das fotos estão aqui num patchwork que traduz um pouco a forma de como aconteceram as coisas. A visão dela pode abraçar um quadro mais “aberto” revelando ângulos, relações e sobreposições integrando as pessoas, os grafismos, as lixeiras, os pixos, os grafites, a arquitetura, as árvores, o céu…
 
Para conseguir adesivar 150 lixeiras pela cidade sem ser preso precisaria ter a autorização da Prefeitura. Consegui contatar as subprefeitura da Lapa que me apoiou  imediatamente e levou o projeto para a subprefeitura da Sé que também topou sem pestanejar. Por isso estou podendo fazer este trabalho com tranquilidade, seria impossível de outro jeito.
 
O centro da cidade é um lugar muito especial onde está tudo misturado. Indigentes, pessoas doentes, o pessoal do crack…Mas também é um lugar cheio de vida e criatividade, com crianças, jovens, turistas, famílias, garis, vendedores, ambulantes, travestis… É indiscritível! Além de toda a história da cidade, da sua arquitetura.
 
A Galeria Olido é um lugar incrível, com biblioteca, lan house, com uma galeria de arte dirigida por um olhar independente e atrevido que pensa na arte urbana, na moda, no grafite, no pixo. É o ponto alto da rapaziada da dança de rua, de salão e moderna. Um oásis de cultura.
 
E as ruas? E as toneladas de lixo que recebem diariamente?…Faço esse trabalho porque acredito que se cada um tiver um mínimo de cuidado pelo que é coletivo poderemos dar um grande passo como comunidade.Com o lixo não dá para atribuir a responsabilidade ao outro. Cada um pode e tem que pensar no destino e no que é o lixo.
Uma garrafa pet é lixo? Comida vai para o mesmo lugar que pilhas? A natureza é lixo? O rio é lixo? O corpo é lixo?
 
Com todo esse consumo e embalagens a coleta seletiva tem que ser incrementada na cidade inteira urgentemente.
 
Como sair do lugar de espectador para o de ator?
 
Como rasgar essa membrana imobilizadora que nos impede de atuar a favor de todos nós?
 
Como organizar toda essa energia para transformar a sombra em Luz, o ódio em amor a pobreza em dignidade?
 
Perguntas não faltam, e as respostas?
 
Nesta Quinta, feriado, vou passar o dia na Praça da República, na Sé e no Largo do Arouche adesivando. Quer aparecer por lá?
 
Abração
 
Jaime Prades

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1 comment so far ↓

#1 jair * BHC on 06.18.09 at 5:16 pm

bem massa isso ae =)

as lixeiras são uns dos meus suportes preferidos para a sticker art *.*

\o

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