O meu prazer, agora é risco de vida!
Meu sex anda drugs não tem nenhum rock n’roll.
Cazuza, (Ideologia)
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Demorei séculos para fazer esse post sobre o livro da jornalista Paula Dip sobre o escritor Caio Fernando Abreu.
Primeiro queria postar no dia 12 de setembro data que Caio nasceu, depois meu rascunho ficou tempo demais nos drafts e perdeu a graça pra mim. O segundo que não rolou era pra ser um post sobre o mar, porque li um montão na praia e cheguei até a fazer outro post com a foto do livro na praia, como gostava de estar o Caio na areia perto do mar.
Mas acho que hj dia 1º de dezembro, dia da luta contra a Aids foi como quis o destino e assim sai o terceiro post mas o único que você lerá. #WorldAidsDay
Caio morreu de Aids quando falar da síndrome era também lembrar de Cazuza ambos vítimas da doença. Foram eles, um retrato de uma geração, domaram suas genialidades num universo pequeno burguês brasileiro.
[sim eu acho que foram vítimas do furor dos anos 80 que era uma total e absoluta consequência dos 70 e assim como são todas as décadas e sempre serão, basta se afastar 10 anos e ver o panorama. Mas hoje são outros tempos, ninguém que tem TV, lê jornal e pega Aids pode se dizer vítima desavisada.]
Mas meus heróis viveram como era pra ser vivido o tempo deles: num mundo de liberdade total e ambos morreram de Aids.
Caio queria banalizar a Aids, falar muito dela, que é um tema cotidiano, presente na vida de todos nós, e sabiamente anunciava o que os médicos demoraram anos para dizer: não há grupo de risco, todos somos vulneráveis. Achei legal tê-lo bonito assim na capa de um livro e num post de campanha.
Mas simplificando… pra não dizerem que Aids aqui está associada ao mundo gay, que fique bem claro que tem gente que já nasce com a doença, tem gente que pega do marido, tem gente que pega em transfusão (sim tem eu conheço um caso), outros em baladas HT bem loucas, enfim, o lance é que meus heróis morreram de Aids.
E tem gente toma o coquetel e se dá bem vive muito e com qualidade e tem gente que não se dá tão bem assim e fica muito doente e perde a vida.
Tem gente pegando Aids agora e tem gente que não tá. It’s up to you.

Mas vamos ao escritor, Caio é daqueles incríveis pra quem gosta de afiar o olhar através da literatura. Rápido no gatilho é verdadeiro porque não precisa da hipocrisia da sociedade, então diz a vida sem fantasia mas com uma alegria que não é besta. Fala das mulheres para quem quiser ler, do cotidiano para quem quiser viver sem ilusões mas viajando muuuito.
Caio gostava de assinar Caio F. obviamente por causa da popular Christiane F. que na minha época de escola era a Amy Winehouse das drugs. F. significava transgressão loucura, anos 80, Europa, tudo que Caio fez de monte e se não declarava também não fazia segredo . Também sou Liliane F. hahahahahaha
Quando eu li Morangos Mofados tinha 13 anos achei o máximo! alguma coisa que eu gostava muito naquele texto mas não sabia explicar. hoje acho que sei, e que é a decadência do humano, o humor ácido, um certo comedido escraxo, e meia palavra pra bom entendedor me apetecia. Se soubesse que ele gostava do nome com F. teria entendido mais fácil.
Tenho milhões de amigos like Caio style, cada um com sua porção da personalidade dele, todos muitos talentosos e alguns com Aids também. E certamente nos aproximamos porque pessoas como Caio e Paula são complementares e tem afinidades pessoais e culturais, por isso o livro revela o Caio amigo que todo mundo amaria ou odiaria ter!!!
O livro deve ser lido como retrato, pois é composto em grande parte pelas cartas compiladas de Caio para Paula e depoimentos de quem viveu e conheceu a figura. Aproveite e leia algum livro dele também, um conto sequer. Caio é autor fundamental e indispensável, tipo tem que ler mesmo.
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*Vale ainda dizer que li ‘Para sempre teu, Caio F’, numa fofa gentileza da Editora Record & Bites que via o Book Crossing me regalou com o livro.









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eu quero ganhar esse livro
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