“Piedade” é um espetáculo teatral que apresenta um encontro póstumo em que se defrontam as três figuras centrais de um crime passional famoso ocorrido em 1909 e conhecido como “A Tragédia da Piedade”.
Nesse crime Euclides da Cunha, o brilhante escritor de “Os Sertões”, buscou vingar sua honra indo armado de encontro ao amante de sua mulher Anna da Cunha, que mesmo após o escândalo da traição e da morte de Euclides casou-se com Dilermando de Assis, um jovem campeão de tiro que matou Euclides em legítima defesa.
Lembrando que 7 anos depois do 1ºcrime mais uma tragédia aconteceu: Euclides da Cunha Filho tenta vingar a morte do pai, mas é morto por Dilermando. Novamente o militar é absolvido pela Justiça e perdoado por Anna. E nesse meio tempo, Dinorá irmão de Dilermando perdeu os movimentos da perna devido ao tiroteio com Euclides da Cunha e depressivo acabou se suicidando.
Na peça Euclides, Anna e Dilermando são colocados frente a frente depois da morte, revivendo e reconversando sobre os fatos acontecidos, num colóquio em que cada um tem a chance de dizer aquilo que nunca foi dito, na tentativa de reconstruir sua imagem diante do outro. Flash de cenas, depoimentos, memórias, fragmentos de cartas, diários, diálogos trazem à tona os fatos e sentimentos que antecederam, culminaram e sucederam o famoso crime.
Entrevista com elenco da peça (coisa fina!):
A peça “Piedade” tem direção de Johana Albuquerque , dramaturgia de Antônio Rogério Toscano, com os atores Leopoldo Pacheco, Jacqueline Obrigon e Daniel Alvim.
De Quarta a Sábado às 19h30 e Domingo às 18h até 21 de Março no Teatro do CCBB que fica na Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – São Paulo - SP
Ingressos: R$ 15 (inteira) | R$ 7 (meia entrada para estudantes, professores, funcionários e correntistas do Banco do Brasil e maiores de 60 anos) Bilheteria das 10h às 20h (11) 3113-3651/3652 www.ingressorápido.com (11) 2163-2000
Estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (Ed. Zarvos) com transporte gratuito até às proximidades do CCBB
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Assisti a minissérie sobre esse caso em 1990 na TV Globo e fiquei bem impressionada, tinha só 15 anos, ainda idealizava o mundo e lia ‘Madame Bovary’, ‘O Primo Basílio’ e ‘Capitu’ e percebia que aquilo tudo sempre convergia para triângulos amorosos literários belíssimos provocados por projeções fantasiosas de personagens embuidas do espírito de que amar é sofrer, então vale matar e morrer por amor. Quando vi a minissérie recontando um caso real e contemporâneo dos meus livros que constatei que o clima filosófico de uma época permeava sim a vida real e vice-versa e ninguém na verdade nunca saberá se a arte imita a vida ou ao contrário.
Escolhi para ilustrar, duas cenas de “Desejo”:
















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