“O que fazer quando as histórias que a gente se conta começam a ficar desgastadas?”
Quem questiona é Débora Duarte, que buscou nessa pergunta o pontapé inicial para compor a personagem que lhe dá a chance de estrelar o primeiro monólogo da sua carreira, iniciada ainda na infância, aos seis anos em ‘Adorável Desgraçada’.
A atriz se enche de coragem para estar sozinha em cena, mas muito à vontade, na pele de Guta, mulher na faixa dos 50 anos que aguarda ansiosamente a visita de Maribela, aquela que foi sua melhor amiga. Enquanto a primeira sempre obedeceu a rígidos padrões de comportamento, a segunda viveu sua vida como bem quis.
Maribel se casa na Itália, ganha dinheiro como contraventora e quando anuncia por uma carta que vem visitar a amiga, que mora no interior de São Paulo, deflagra nela uma série de sentimentos contraditórios.
“Elas são como ego e alterego. Há muitas emoções em jogo no espetáculo. Guta abriu mão de muita coisa devido à repressão familiar, religiosa e social, em nome do que achava que era o certo. E chega num ponto de matar ou morrer”, provoca Débora, ciente dos dramas íntimos da personagem. “Ela vive com o coração apertadinho, o dinheiro apertadinho. É uma mulher solteira e sozinha”.
TENHO QUE VER!!!!!!
ADORO MONOLOGO!
Autora da peça e dona de uma dramaturgia de forte cunho feminista, Leilah Assumpção que escreveu a peça, observa que, mesmo tendo pautado sua vida longe do que Guta sempre considerou certo, Maribel foi feliz e prosperou. “Guta espera que essa amiga chegue e que Deus a castigue. A ligação entre elas vem da infância, em que as concorrências são cruéis: você tem que ser a mais bonita, a mais inteligente”, observa a autora.
Montado originalmente em 1994 em São Paulo com Claudia Mello sob direção de Fauzi Arap, o espetáculo ganhou o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor texto e volta à cena sob direção de Otávio Müller, direção de arte, figurino e cenografia a cargo de Bia Lessa, iluminação de Lauro Escorel e trilha sonora de Danny Rolland. Para a autora, a presença de Débora Duarte é fundamental: “Só quis retomar a peça porque Débora aceitou fazê-la. Ela é uma atriz extraordinária”.
No ano passado, a dramaturga Leilah Assumpção celebrou 40 anos de atividade. Além disto, tem mais um motivo para comemorar: seu mais bem-sucedido espetáculo, ‘Intimidade Indecente’ (2001) ganhou montagem na Dinamarca. Na Alemanha, a montagem de ‘Adorável Desgraçada’ estreou em 2008.
Avaliando o conjunto da produção de Leilah Assumpção, o crítico Yan Michalski declarou, em 1989: “Uma das personalidades mais fortes da geração de autores que veio à tona no fim dos anos 60 – e também uma das mais censuradas, nos anos do regime autoritário – Leilah tem preservado, na sua trajetória, uma apreciável coerência, criando alguns dos mais fortes personagens femininos da dramaturgia nacional dessas duas décadas; personagens que defendem altivamente os seus direitos e a sua condição de mulheres, através de uma linguagem na qual a veemência, o colorido coloquial e o humor se fundem para criar uma poética muito pessoal”.
Adorável Desgraçada, com Débora Duarte
Teatro Cultura Artística Itaim
Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1830 – tel.: 11. 3258 33 44
www.culturaartistica.com.br
Horários Sextas-feiras 21h30 Sábados 21h Domingos 18h
Ingressos
Sextas e Domingos R$60 Sábados R$ 70
Horário da Bilheteria : Terça a Domingo das 15h até o início do espetáculo
Televendas (11) 3258 3344
Estacionamento conveniado: Área Parking
Capacidade: 303 lugares
Classificação / Duração: 14 anos / 70 minutos









1 comment so far ↓
Ah quando eu for rica & famosa… espero q espere chegar esse dia antes de vir pro RJ.
Salivei aqui.
Bj.
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