É só respirar…

Os batidos clichês de “bem-estar” com aquelas imagens sempre com uma modelo esbeltíssima sentada em posição de lótus, envolta em símbolos taoístas e incensos num bangalô na Polinésia Francesa não podem funcionar no século XXI.

Com a maioria das pessoas vivendo em centros urbanos mega lotados, ultra metropolitanos e repletos de congestionamentos, como, nesse cenário real, estar radiante e zen? Aposto que maioria de vocês não vive em um litoral paradisíaco 24h por dia , 7 dias por semana, 12 meses… Vamos ser sinceros, no máximo férias duas vezes por ano…

Fundamentalmente, é preciso ter saúde. O resto é consequência da auto-estima que cada um de nós cultiva, e o bem-estar é assim: um sentimento que transborda na cara da gente e está totalmente ligado à felicidade. É muito mais um estado de espírito do que qualquer outra coisa.

De que adiantam massagens energizantes e tratamentos de pele se estamos insatisfeitas no emprego ou passando por uma crise na (bendita) relação?

Se manter magra parece um castigo da mídia e privar-se de chocolate uma maldição egípcia, pra que seguir essas dietas com nomes estúpidos que prometem te transformar em alguém que você não é? (Gisele só tem uma). Pergunte-se se isso tudo vai te proporcionar mais bem-estar emocional.

Bem-estar tem que ser simples. Se complicar, é firula. Definitivamente, usufruir e apreciar os pequenos prazeres diários é meu conceito de estar bem: tirar o néctar dos momentos ordinários, mas que fazem a vida menos ordinária. Não negue que um bom banho quente com aqueles sabonetes bem cheirosos combinado a um pijaminha pra deitar e ler um livro novo pode ser bem relaxante e proporcionar imenso conforto.

Num outro momento, sair linda no salto para ver umas vitrines com as amigas e tomar um cafezinho é o nirvana, não é? Dormir de tarde sempre dá uma desestressada só que às vezes ir passeiar num parque pode ser muito mais revigorante. Fazer um almoço saudável, saboroso para a família, comer fast-food, pegar a estrada com vidros abertos, ouvir sua trilha sonora preferida, dançar horrores a noite toda ainda que a ressaca do dia seguinte seja inevitável… são alguns exemplos de onde podemos encontrar o tal mágico bem-estar cotidiano.

Mas a plenitude do bem-estar é, no fundo, um respirar feliz. E a gente respira o tempo todo, em todo lugar, sem pensar (e não paga nada também). Mas pense que você pode sentir-se bem quando simplesmente busca seu filho no colégio, quando fala com um amigo no telefone, quando conclui um projeto bacana no trabalho, quando dá um beijo…

Esse lance da respiração é tão verdadeiro que há até uma técnica indiana com benefícios cientificamente comprovados para eliminar toxinas do corpo, melhorar o tônus muscular e alterar o estado de espírito, baseada apenas na educação do respirar. Chama-se Kriya ou Sudarshan Kriya, e coloca a respiração como principal fonte de energia, pois nunca paramos de respirar.

A ideia dessa prática é conseguir, através do controle da respiração, compreender as emoções que nos (des}controlam. E. a título de informação, no Brasil, a técnica Sudarshan Kriya já é ensinada pela ONG Arte de Viver fundada, em 1982 pelo próprio Ravi Shankar, que foi quem traçou os fundamentos.

Eles fazem pesquisas e promovem diversos projetos sociais no mundo todo, mas chamou a minha atenção os pequenos workshops que ministram nas penitenciárias femininas brasileiras. Digno!

Tome fôlego! Porque agora é com você: sentir-se e manter-se bem quando inspirar e expirar.

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