3 partos em 1

O PARTO, pintura do @souzacampus pintado em 2003 quando eu nem imagina passar por um parto.

Pra quem tinha medo de TODOS os tipos de parto, tive UMA filha que quase nasceu de (quase) TRÊS tipos de partos diferentes…

Eu sonhava com parto natural desde o primeiro dia que soube estar grávida. Procurei e achei uma casa de parto que se adequasse à simplicidade do parto que imaginava fazer e encontrei a Casa de Maria, anexa ao Hospital Santa Marcelina, no Itaim Paulista. Eles atendem pelo tão famigerado, mas que para mim foi abençoado, SUS (Sistema Único de Saúde). As consultas que fazia lá eram bem melhores do que as que passava com o médico do convênio, tanto que lá pelo 6º mês disse tchau pra ele e fiquei somente com o pré-natal na casa de parto.

Engordei nadica de nada, fazia ginástica, comia direitinho tudo corria perfeitamente como eu planejava: um parto calmo e fora do hospital. Na real o meu parto foi bem animimadinho pra quem só queria insensos e música new age!!!

No dia D na hora H na minha 42ª semana, quando achei que ia lindamente para a casa de parto (e fui!) porque já estava íntima das enfermeiras obstetras, descobri que apenas a bolsa havia rompido na madrugada e eu não tinha entrado em trabalho de parto. Por causa disso não poderia ficar na Casa de Maria, para não correr risco de infecção segundo as enfermeiras.

E elas foram queridas, até aguardaram as minhas primeiras contrações mas nada de dilatação…Era um caso preocupante. Foi decidido que eu tentaria o normal induzido sem anestesia e rapidamente fui para o hospital anexo.

A partir do momento que comecei a tomar o soro (ocitocina) e foram dez horas de uma dilatação slow motion e dores… muitas dores, não dá p mentir….

No hospital, para ajudar a Luisa nascer, fiz aqueles exercícios na bola de pilates, sentei na tal cadeirinha que a gente fica tipo de cócoras, tomei banho quente, mas nada surtia efeito. :(

Quando fui para aquela cama com os apoios para as pernas, ver a Luisa era uma questão de força. E olha que eu fiz muita força! Mas não rolou.

Quando já estava descabelada, a Luisa, por stress de parto fez o famoso mecônio (cocô na bolsa) e a partir daí os médicos conversaram rapidinho, explicaram o perigo dela aspirar o líquido na barriga. Então já fomos imediatamente fazer a cesarea de emergência.

Na minha cabeça as sirenes soavam…Imagina minha filha quase nascendo de parto normal com o maior esforço meu e de repente tudo aquilo se transformando numa cesarea??

Tive muita sorte porque o Hospital Santa Marcelina do Itaim Paulista acredita em práticas menos invasivas na hora da cesarea ou do normal induzido. Por exemplo, lá nenhuma mãe é depilada (daquele jeito horrendo), eles tentam ao máximo que o parto seja normal, tem paciência, colaboram e até fazem, se for o caso de cesarea, ponto de plástica nas mães. Fora que dão o maior auxilio para as primeiras mamadas no peito. Incentivam pra valer a amamentação, lembrando: é do SUS.

Enfim, minha filha acabou mesmo nascendo de cesarea e eu nem vi. Apaguei quando tomei a anestesia, que vale dizer foi difícil uma vez que a minha filha estava quase nascendo de parto normal….

Eu estava absolutamente exausta. Me lembro de ter ouvido um chorinho e depois vi uma coisinha embrulhada num lençol azul mas sinceramente estava muito aérea. Lembro que foi bom ouvir meu marido dizendo de longe que ela estava ótima e era simpática!!! Ai relaxei e dormi horas no pós operatório.

Então costumo dizer que conheci de perto as dores do parto natural, do normal induzido e por fim da cesarea.

E sobre essa cirurgia que morria de medo, posso dizer que sobrevivi. Por um momento cheguei a pensar que ia ficar frustrada e culpada para resto da vida porque o tipo de parto que escolhi não funcionou comigo.

Mas quer saber? Como me culpar ou me sentir frustrada com uma bonequinha tão doce como a minha filha no colo?

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3 comments ↓

#1 People on 12.29.11 at 3:47 am

Nossa!!! Adorei o post. Meus pais moram ao lado do Santa. Lá eh muito bom sim.
Achei lindo…..
Beijos para vc e toda a família. Feliz 2012!!!!

#2 People on 12.29.11 at 3:58 am

Amei o post!!!! Lindo lindo. Este hospital eh ótimo. Meus pais moram do lado. Beijos. Feliz 2012!!!!!

#3 souzacampus on 04.18.12 at 6:15 am

Estive cada segundo ao seu lado, minha amada. Você foi maravilhosa, uma mãe gloriosa! Nunca vou esquecer de sua força colossal durante o processo de parto de nossa filha. Ela sempre vai ter muito orgulho de vc por isso.

Percebi a insignificância do pai e marido nesta hora—a menos que este seja um obstetra ;)—porque enquanto vc sentia as dores físicas e psíquicas do parto, eu só podia observá-la angustiado sem poder fazer nada além de segurar sua mão e amá-la.

É muito injusto: a mulher corre todos os riscos, da gestação ao parto, enquanto o homem, apenas a acompanha. A relevância do pai no nascimento de seu filho é muito desproporcional, praticamente zero. Isso explica o fato de ser eu o único pai e marido realmente presente durante os 4 dias e noites que fiquei com vcs na maternidade.

Este link tem vc na mesa de parto: http://souzacampinhus.blogspot.com.br/2006/07/mame-bem-que-tentou.html

Amo!

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