...Diário poético-filosófico. Ou, caderninho daqueles pequeninos, capa de couro, pra fazer anotações, recheado de papéis, postais, escritos, uma agenda de memórias. Códice Lili. Moleskine.
Assista a este trecho do documentário que foi exibido essa semana num canal de TV franco-alemão.
Ele mostra um estudo novíssimo que afirma por vias bem intelectuais a enorme contribuição do ‘derrière’ à civilização, e para isso consulta os pontos de vista de psicanalistas, filósofos, cientistas e artistas.
O filme La Face Cachée des Fesses ou em inglês The Hidden Side of the Bottom e em português A face secreta da Bunda mostra como o papel do traseiro na evolução humana tem sido negligenciado. [aqui no Brasil a gente supervaloriza, não se preocupem cientistas!!!]
“Nós franceses temos uma relação especial com esta parte do corpo” afirmou Allan Rothschild, co-diretor do documentário. [olha!!!! eu posso afirmar que nós brasileiros também temos]
O filme mostra que sem o nosso grande glúteo, nós humanos nunca teriamos descido das árvores. A importância desta mudança passou desbercebida até por Darwin em sua teoria sobre a evolução humana. Ele não fez qualquer menção ao fato de que uma vez que os seres humanos passaram ser bípedes, os homens tinham dificuldade de saber quando uma mulher foi fértil. isso levou ao aumento de seios e da bunda para ajudar na arte da sedução.
Outra coisa citada é que a bunda foi fundamental para dar à luz o feminismo francês. A moda das bundas exageradas que obrigavam as mulheres a usar “faux-culs” - literalmente “bunda falsa” - causava alvoroço enorme pela cintura fina com espartilho que ampliava os traseiros das moças, que desfilavam suas anquinhas. Philippe Comar, professor morfologia na École des Beaux Arts concluiu numa fala do filme: “O a bunda falsa é que reduziu a mulher a um objeto sexual.”
Além disso tudo, ainda tem um livro que complementa o filme e que esta à venda na França a partir desta semana.
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E + uma matéria sobre o livro do historiador francês: Jean-Luc Henning “Breve História da Bunda”. Assista e se especialize mais ainda no assunto: PhD de bunda.
E quando a gente começa a mexer com a bunda.. tem um monte delas que aparecem na cabeça: Gretchen, a 1ª bunda protagonista assunida, Carla Perez e o bundão axé…
Mas é claro que atualmente quem vem à tona mesmo [melancia bóia??] é Mulher Melancia em seu esplendoroso popo GG gigante, assim auto-denominado.
Aqui temos as duas partes de um documentário que mostra como ela leva a bunda a sério. Assista! Tem momentos peculiares, como por exemplo, quando ela explica cientificamente a velocidade 6. E em outra parte ela declama os versos de ‘Solteira sim, Sozinha Nunca‘, só perde pra Goethe.
Parte 1
Parte 2
Vamos elevar o nível e lembrar Brigitte Bardot e Michel Piccoli na memorável cena do filme ‘Le Mépris’ (O Desprezo) de Godard, em que ela pergunta: “Et mes fesses? Tu les aimes, mes fesses?” [e a minha bunda, você ama a minha bunda?]. Assista e termine de ler o post se sobreviver:
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Bunda também é poesia
Tem a bunda do poeta Carlos Drummond de Andrade que, com todo respeito, é uma bunda engraçada no ‘milagre de ser duas em uma’[acho essa frase genial!]
A bunda que engraçada
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai pela frente do corpo.
A bunda basta-se.
Existe algo mais?
Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmea s em rotundo meneio.
Anda por si na cadência mimosa,
no milagre de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte por conta própria.
E ama. Na cama agita-se.
Montanhas avolumam-se, descem.
Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda.
Vai feliz na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
rebunda.
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A bunda pode também ser descrita em uma série de códigos para emoticons…..
(__|__) bunda perfeita.
|__|__| desbundada.
(::|::) bunda com celulite.
(__$__) bunda de prostituta de luxo.
(__*__) bunda de quem tá com frio.
(__.__) bunda de quem tá com muito medo.
(__?__) bunda de quem não sabe o que vem pela frente ou melhor, por trás.
(__o__) bunda pouco usada.
(__O__) bunda bastante usada.
(___________0____________) bunda da Carla Perez.
(__|.|__) bunda com nádegas afastadas para exame de próstata.
(__|o|__) bunda com nádegas afastadas após exame próstata.
(__;__) bunda com limpeza falha após uso.
(__-__) bunda de japonesa.
(__V__) bunda comportada de biquíni.
(__Y__) bunda assanhada de fio dental.
(((__)(__))) bunda mole.
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O livro das grandes bundas
Tem edição de capa dura [se fala de bunda tem q ser dura] e traz entrevistas de oito mulheres famosas por suas bundas [tranquis que Melancia está lá]. Editado pela Taschen.
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Galeria de imagens de bundas comentadas
Uma bunda brasileira, as usual, deixa ‘os gringo’ louco. Olha o francês, só falta babar igual ao lobo do Tex Avery.
A bunda da modelo e a bunda-modelo:
Bundas unidas, jamais serão vencidas. Porque bundas também são uma forma de protesto. Kiss my ass.
Que dizer de alguém que tatua Michael Jackson na bunda??? Thriller
Depois da desgraça acima, ANTIDOTO- A bunda da Odalisca de Ingres é discreta e bem maneirista….
Ela quase não tem…[Kate Moss não precisa de bunda, ok!]
Bunda utópica, freak no último:
Bunda intelectualizada e feminista também pode ser boa. Simone de Beauvoir não me deixa mentir:
E na bunda brasileira tem sempre um que querendo enfiar. [mas a gente vai lá e tira]
E só pra consagrar a bunda made in Brasil, houve um concurso em Paris para escolher a bunda mais bonita e claro que quem venceu foi uma brasileira. Disputando entre 45 finalistas de 26 países, Melanie Nunes Fronckowiak recebeu o título de “Most Beautiful Bottom in The World”.
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Posts de toda sorte que encontrei sobre a bunda (da surra de bunda até um chutador mecânico):
Fallen Princess é um dos trabalhos da fotógrafa canadense Dina Goldstein que estava farta, assim como eu, da perfeição das princesas dos desenhos.
Na medida em que todos os anos, centenas e centenas de garotinhas elegem essas ‘perfeitinhas’ como suas queridinhas e assistem again and again seus dvd’s…Dina, que também tem uma filha pequena, se perguntou: mas como seria o dia a dia dessas princesas se elas fossem mulheres de verdade num mundo real e sem frescuras de reino encantado. Vamos contar isso pras meninas já!!!
Sente só no que deu a composição que ela criou para as imagens:
Cindela - se acabou na naytch e agora ronda a cidade a te procurar sem te encontrar.
Bela Adormecida- ela mora, quer dizer, dorme num asilo há séculos ao lado do velho príncipe.
Ariel - nadou nadou e acabou num desses grandes áquarios blockbusters…
Jasmim - não teve Aladim que a tirasse do Oriente Médio. Tá aí uma guerrilheira do Islã.
É tudo bem emblemático, uma jovem estudante de filosofia morre com um tiro no peito durante manifestação contra a fraude eleitoral que mantém um homem deplorável no comando de importante país do Oriente Médio. O nome dela pra completar significa ‘voz’ ou ‘chamado’ em persa e é verbete na Wikipedia. Tudo foi filmado e devidamente postado.
A vida, às vezes, é uma péssima reunião de clichês.
Você tem poucas chances de assistir um verdadeiro “O Banquete” de Zé Celso. A peça é uma ode ao amor, como ele mesmo fala: “É sobre o amor de qualquer tipo, porque para mim não há o amor hetero ou o amor homo, é apenas amor. No entanto não pode existir liberdade em nenhum sentido, principalmente amoroso, se qualquer forma de amor for cerceada, demonizada não existe razão de ser..”
Faço questão de reproduzir na íntegra o release mais bacana que recebi. Em forma de poema! PHYNO. E a foto então? está sensacional!!
RELEASE
Na segunda fogueira de Junho dia 24
noite de São João
entre as noites mais longas do ano
estréia O Banquete,
diálogo de Platão
encenado pelo Teatro Oficina Uzyna Uzona
que o prepara desde alguns meses atrás
para virar Bori
de Pratão
oferecido a Eros.
A transversão do texto
por José Celso
começou em março
depois do convite do festival Queer, em Zagreb na Croácia
para onde foram seis integrantes do grupo
realizar com sérvios e croatas “Gozba”, o Banquete
em ensaio aberto no dia 10 de maio.
O trabalho lá
tornou-se missão
de descatequização
“a mensagem toda do espetáculo foi formada durante os ensaios, com os atores, seguindo suas emoções e reações. Nos olhos deles e nas palavras explicitadas eu pude reconhecer o medo, relacionado à homofobia, na sociedade croata, que hoje ocupa o lugar que era do nazismo e do stalinismo.”
disse o diretor a jornal croata.
Depois o grupo partiu para a Grécia
e abriu caminhos para a realização das Bacantes
no teatro de Epidauro em 2010.
Ao voltar
Zé Celso trabalhou mais sobre o texto e
desde o dia 04 de junho,
depois de quatro leituras,
o grupo levanta a encenação,
trabalhando principalmente sobre
a interpretação do texto tornado “phala”
em versos musicados.
A pista do Oficina vai transformar-se em chão de camas
para o encontro dos banqueteiros que
reunidos na casa do poeta Agatão,
recém chegado da vitória com Bacantes nas Dionísiacas,
mas ainda na ressaca do banquete anterior,
decidem por outro jogo: dar a Eros, cada um, um canto – e assim beber menos.
Entre eles estão personagens históricas de 2500 anos atrás,
o poeta Agatão feito por Marcelo Drummond,
Aristófanes, o comediógrafo de As Nuvens, interpretado por Sylvia Prado,
o médico Erixímaco, por Rodrigo Andreolli, a filósofa Diotima por Camila Mota,
Sócrates, personagem principal através da qual Platão constrói todos seus diálogos, interpretado por José Celso,
Heráclito, o filósofo,
e personagens da mitologia grega, que originalmente surgem apenas nos discursos proferidos
mas estão incorporados na versão do Oficina:
Orpheu e Eurídice em seu caminho para o Hades;
os Andróginos que partidos pelo raio de Zeus tornam-se homem e mulher
na encenação ritual do mito de surgimento dos gêneros a partir dos transgêneros;
e Eros, nascido do pai Poros e da mãe Penia, a Necessidade, cujo parto é encenado;
além de Jesus e Iemanjá.
O Banquete é um dos mais de trinta diálogos filosóficos escritos por Platãono século V a.c.
e hoje considerados obras seminais do pensamento ocidental,
estudados diariamente por filósofos e fundamentais na formação das teorias da psicanálise.
Em todos eles, Sócrates, fundador da academia peripatética, que em vida fora o mestre de Platão,
aparece como interlocutor preferido das personagens.
O Bori de Pratão é oferecido a Eros,
ao amor, de qualquer tipo
“Muitas pessoas hoje fazem guerra contra o amor, mas nós estamos lutando pelo amor. E não precisamos de armas para isso, nossas armas são música e poesia. Amor, assim como teatro, dá poder, cultiva a vida, e necessitamos, a todo tempo, poesia, como ar.”
e vai se realizar apenas nas seguintes datas:
24 de junho de 2009, 21:00h - estreia
27 de junho de 2009, 21:00h
e 28 de junho de 2009, 19:00h - temporada
tempo estimado de duração: 4 horas
ingresso : R$40,00 inteira R$20,00 meia
com direito aos comes do Banquete
o vinho custará R$5,00 e deverá ter fichas compradas com antecedência na bilheteria
Os ingressos já estão a venda na Casa de Produção do Teatro Oficina
tratar com Vanessa Tomaz nos tels. 11 31040678 / 31065300
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Serviço: “O Banquete” Estréia: Quarta-feira 24 de Junho às 21h Reapresentação: Sexta, Sábado 21h e Domingo 19h Preço: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia entrada) Endereço: Rua Jaceguay, 520 – Bixiga Censura: 16 anos Estacionamento no local: R$ 10,00 Chapelaria: Sim
Lotação 300 pessoas
Vou a convite da Mapfre Seguradora[empresa para a qual faço uma coluna/blog sobre bem-estar e saúde, o Viva Bela] assistir “Viver sem Tempos Mortos” no Teatro Sesc Anchieta [leia esta crítica de Barbara Heliodora], monólogo com nada mais nada menos que Fernanda Montenegro, linda à beira dos 80 anos e esplêndida em sua experiência no palco.
Especial para minha amiga Flávia Penido que visita a Cidade Maravilhosa, uma sugestão para flanar no Jardim Botânico [do it for me]. Antonio Bernardo[deus dai-me os numeros da loteria para gastar tudo na loja dele...] adotou um orquidário, inspiração perfeita, porque essas flores são puro número fi.
A Adalbertolândia é um parque mágico, fincado num oásis urbano desde junho de 1969, uma esquina que somente os iniciados em Perdizes conseguem ver, pertinho da Simonelândia [a lândia mais louca da minha amiga Simone Donatelli].
Tem gente que acha que Adalbertolândia é mesmo uma miragem porque não se paga nada para entrar, é muito bem cuidada e ninguém fica te vigiando. Tem carrossel, balanços, trilhas pela florestinha, gangorra, mirante, sôssego e civilidade. Um microcosmo ideal onde tem até balanço para adultos!
Sim, eu não vou dar o endereço….Sorry people! A ideia não é bombar Adalbertolândia mas cuidar para preservá-la exatamente como está, para que a experiência de visitá-la se mantenha única, porque Adalbertolândia tem principios muito lindos:
“Em junho de 1969, o publicitário Adalberto Bueno transformou o terreno na frente de sua casa, em Perdizes, num parquinho de diversões para as crianças do bairro. Marceneiro e eletricista nas horas vagas, ele construiu os balanços, as gangorras e os bancos coloridos que enfeitam o local. A atração fez sucesso e resistiu ao tempo. Hoje, os primeiros freqüentadores levam os filhos e até os netos para brincar na “Adalbertolândia – a única lândia que é de graça”.
De onde veio esse nome? Eu queria que se chamasse “criançolândia”. Mas um dia, enquanto fazia os brinquedos, uns garotos pegaram uma tábua e escreveram Adalbertolândia. Achei legal e resolvi manter.
Tem idéia de quantas crianças já brincaram na Adalbertolândia? Em um caderninho há o registro: até 1973, foram 503. Depois disso, perdi a conta. Mas creio que pelo menos 5 000.
Aconteceu algum problema com roubo ou invasão no parquinho? Não, pelo contrário. Há seis anos, fui pegar uma sacola esquecida no muro do parque e, antes de jogar fora, vi que tinha uma imagem de Nossa Senhora. Fiz um altarzinho para ela. Recentemente, deixaram outra imagem de Nossa Senhora e uma de Iemanjá. Coloquei todas num altar. Tenho de respeitar todas as religiões, né?”
O que havia antes? Quando não havia tempo, espaço e nem coisa nenhuma? Nem eu, nem você, nem todo mundo que a gente conhece? [inspired by Miranda July]
Fim de ano é assim, o ritmo reduz, mas as pendências não! Comecei a colocar minha ‘agenda’ ordem: limpar arquivos, jogar fora o que passou e registrar o que deixei passar.
Aí achei scaneado esse desenho que o próprio Michel Gondry fez da Fabiana de Freitas, minha amiga querida! ela estava fazendo imagens dele no MIS-SP durante um evento na exposição que acontece lá até janeiro e de uma brincadeira ele ofereceu um mimo!
Ela merece esse luxo!!!!!!!
Fabi sempre faz os melhores making of !!! editora mais linda e ninja blasé no FinalCut (é ninja mesmo porque eu nunca vi alguém fazer 3 coisas ao mesmo tempo e ainda explicar de cor, como se não fosse nada vários truques: blasé…..). Elogio público porque ela é muito modesta!!!!
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Que o Gondry é um gênio você já sabe! Só pra ilustrar sscolhi dois videos de filmes publicitários e um mais cultzinho dirigidos por ele.
HP
Air France
E um filminho é bem bizarrinho, foi um presente de aniversário para uma amiga!!
Que lindo! Gosto de ver o sucesso das pessoas talentosas! é demais!!! E reconhecimento internacional é prestigio!!!
Soube dessa exposição quando recebi o email da BT Nóbrega sobre a participação dela na “Poesia Urbana” na Austrália. E como as pinturas estão do outro lado do mundo, ela convidou a todos para conhece-las Flickr. Recomendo!!
Ela combina desenhos em stêncils com textos poéticos, palavras e frases que deixam a obra mais interessante ainda!!
Ao ler o convite vi que outros artistas além da BT com quem já tive oportunidade de realizar trabalhos aqui em São Paulo também serão expostos: Gitahy, Rica do Sprays Poéticos, Ozi e AltoContrate!
Aliás aqui está o making of de um desses trabalhos que eles participaram, no qual a BT Nóbrega também está presente:
As canções de Nino Rota não me deixam pensar consomem os dois lados do meu cérebro tudo.
Não me deixam escrever me martelam me fazem esquecer o que ia dizer e batem pratos e pam pam pam pam!
Um viva a Nelsaldina porque tudo tem deadline, até trilha sonora.
Sabe aqueles sinais evidentes de que algo deve acontecer?
E que vários personagens de um filme dão ao protagonista pistas pra que assim fique bem clara a sequência dos fatos?
Os personagens ali todos preparados para avisar e confirmar que deve dar aquele passo e assim seguir o roteiro natural da sua vida.
Um desejo sabor jaboticaba de quintal moleque.
Um viver na falta do absoluto…o tormento de nunca mais saber a verdade.
E a crença em saber que tudo o que se faz é verdade também.
Eu gosto do sol do pôr-do-sol, aquele que tem uma luz laranja mais balzaquiana. Aquele sol do sol mais queimado pra esquentar as costas de costa para a porta da varanda que ficou entre-aberta, luz perfeito para um filme seu.
(Porque o clarão amarelo branco e frio da manhã já não me apetecem mais)
Vou sonhar com a Belle de Jour, como se eu estivesse olhando por outros ângulos as cenas, como uma loucurinha em espiral na minha cabeça que eu prometo te contar.
De cima da escada viu os cacos rolando.
Uma xícara, um prato e uma vida.
Ainda dava pra ver o café escorrendo pela porcelana.
Desceu e varreu bem forte tudo pra bem longe.
O café é tão grave, tão exclusivista, tão definitivo
que não admite acompanhamento sólido.
Mas eu o driblo,
saboreando, junto com ele, o cheiro das
torradas-na-manteiga que alguém pediu na mesa próxima.
Mario Quintana
Café com pão
Café com pão
Café com pão
Manuel Bandeira
Café expresso – está escrito na porta.
Entro com muita pressa. Meio tonto,
por haver acordado tão cedo…
E pronto! parece um brinquedo:
cai o café na xícara pra gente
Maquinalmente.
E eu sinto o gosto, o aroma, o sangue quente de S.Paulo
nesta pequena noite líquida e cheirosa
que é a minha xícara de café. (…)