Inclusão Cultural

Mostra de Arte- Síndrome do Respeito, de 15 a 26 de março no Espaço Cultural Senador Ivandro Cunha Lima e na Senado Galeria na Praça dos Três Poderes em Brasília-DF.

Vamos prestigiar sem rótulos. Apenas vejamos arte, isso sim é a síndrome do respeito se manifestando.

http://www.institutoolgakos.org.br/

Lambe-Lambe

Tem que ir ver!!!! Gitahy, BT Nobrega, Ozi, Chã meus favs!!!

Arte é sexy?

Recebi esse convite da querida Luanna Jimenes, atriz que conheci num dos cursos do Chris Duurvort.

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Estreia sexta feira dia 13 de novembro a SEXTA SEXY do Next

21h Video “Eróticos “de Lea Van Steen e Xan Lucato

22h 04 performances de artes plásticas concebidas e executadas por:
Monique Allain  e Maria da Paixão- “Corpo Paisagen”
Renata Sandoval- “pintura ao vivo”
Sandra Martinelli- “A Destrambelhada Longa”
Luanna Jimenes- “A Lenda dos 1000 Pássaros”

Translúcidos - é bem louco.

Veja essa exposição que está encantando as pessoas. Veja as imagens clicando aqui! Mais uma vez Ozi e Gitahy nas paradas de sucesso!

***Últimos dias no Parque da Água Branca. Entrada Franca (onde já se viu pagar pra entrar em parque!!!)

Além disso ainda rola:

30/8 - domingo - 10h30-  intervenção cênica de Júlia Pascali

31/8 – segunda-feira – 10h30 –intervenção cênico-musical de Júlia Pascali e Oswaldo Mori, por ocasião do encerramento da mostra.

As outras informações estão no flyer!

NOH8 - No Hate

Hoje é dia de GAY PRIDE!!!! E a nossa Parada do Orgulho Gay é a MAIOR DO MUNDO*. Yes, nós temos beebas! Para marcar a data vale um post!

*vamos ver como será sem os trios das buátchis esse ano…

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A coisa mais estúpida que existe é se intrometer no ‘gostcho’ sexual do outro. Nada pode ser mais íntimo do que isso, pode? 

Quando soube da emenda que proibiu o casamento gay na Califórnia fiquei pasma. #Comoassim? não é California Dreaming? e ainda mais ver isso acontecer no país da democracia nem que seja pela força. Foi um baita retrocesso para o estado que tem São Francisco como a capital + gay ever do universo e também para toda a comunidade LGBT assim como para qualquer hétero, afinal para apoiar a liberdade basta ser um humano decente.

Há uma mobilização pedindo que tudo volte a ser como antes e esse video tem a participação de vários artistas lutando pela causa. Entre eles a minha master diva: Tila Tequila do reality ‘A Shot at Love With Tila Tequila’ um namoro na TV bem ousado pra quem é mais pudico, nele moços e moças disputam o amor da modelete [me fala se ela não parece a formiguinha do filme Vida de Inseto?].

O institucional NO H8 [pronuncía-se o H8 como se fosse soletrar a sílaba de letra e nº junto: haitch 'sounds like' hate=ódio em português] é muito clean, sincero e objetivo ao pedir direitos iguais. Assista:

Infelizmente no Brasil parece que essa discussão sobre o casamento gay não vai pra frente…

(dica do Pablo Biglia do Universo Mix)

Como iniciar uma coleção de arte

Passada a euforia e a enxuarrada de opções da SP Arte é preciso parar e pensar: colecionar o quê?

Por isso pedi a três grandes profissionais do mercado de arte para responderem algumas perguntas básicas para quem se interessa em colecionar arte. Compartilho com vocês os conselhos preciosos das marchandes: Regina Pinho de  Almeida, Monica Filgueiras e Eliana Benchimol.

Quais as recomendações que vocês dariam para quem quer iniciar uma coleção de arte contemporânea brasileira?

Regina Pinho de Almeida- Olhar com calma, visitar exposiçoes de galerias e museus recomendadas, não se preocupar se não conhece a princípio, convivendo você aprenderá muito depressa, e não existe segredo. Todo mundo é capaz de apreciar uma boa obra, o tempo ajuda a entender melhor o valor artistico de cada obra. Não é necessario muito conhecimento mas sim afinar o olhar, convivendo e procurando conhecer mais. É muito agradável este processo, e lembre-se você não precisa sair comprando, antes rode bem as galerias, sinta aonde você se sente melhor. Tudo em arte é muito subjetivo.

Monica Filgueiras- Não comprar por impulso. Saber o que e de quem esta adquirindo uma obra de arte é o primeiro passo. Focar em obras que te digam alguma coisa e te façam se sentir bem. É você quem vai conviver todos os dias com a obra e não quem está te vendendo. 

Eliana BenchimolEm primeiro lugar, para fazer esta recomendação, é necessário levarmos em conta a disponibilidade financeira do cliente, quanto investir depende do que pode ser investido.

Quanto investir? Sugestões? 

Regina Pinho de Almeida - Tem 2 maneiras de iniciar comprando: com artistas jovens que ainda nao custam caro e você nao fará grandes perdas e pode acabar investindo em alguém que pode viirar famoso e pagar nessa todos os seus erros e desacertos, e/ou você paga mais e procure adquirir obras de nomes consagrados que possam lhe garantir qualidade e  liquidez. Alguns erros no início são comuns e fazem parte do processo logo nao jogue todas as fichas. É natural o colecionador ir apurando o gosto e o olhar.

Monica Filgueiras - O investimento pode ser planejado desde que você tenha uma diretriz na sua coleção: por exemplo, uma coleção de obras sobre papel. Ou selecionar 10 a 15 nomes de artistas de uma mesma geração, que você goste, e começar a buscar uma obra de cada, com calma e tempo. O valor vai depender do mercado de cada artista. Uma coleção não deve ser feita somente por especulação de valor. Muitas vezes se passam duas gerações até existir um retorno financeiro. São coleções de pais para filhos e netos.

Eliana Benchimol - Se o cliente é jovem, ou não pode dispor de muito capital para iniciar a coleção, a minha recomendação seria a compra de boas gravuras, de artistas já renomados, como Ianelli, Sued, Guershman, Rubem Ludolf, Barsotti, entre outros. Estas peças valorizam qualquer ambiente, pois os artistas são consagrados nacionalmente, com currículuns extensos de exposições e obras em Museus e coleções publicas e particulares. O custo médio de cada uma destas peças estaria entre R$1500 a R$ 2500. No caso da pessoa poder começar por peças mais caras, telas ou obras únicas, eu recomendaria a compra de uma boa peça de cada vez, ao invés de várias de qualidade inferior, numa galeria estabelecida e conceituada, negociando um parcelamento se necessário, dando enfase ao currículo do artista na hora da aquisição, pois isto é o que vai assegurar o valor do capital investido na obra.

O que não fazer de jeito nenhum?

Regina Pinho de Almeida- O importante é voce gostar da obra, não compre somente porque o artista é reconhecido, a obra tem a ver com voce. Trate a arte como arte e não meramente como negócios ou apostas, perde todo o sentido entende? Nunca compre barganhas, pechinchas, se for comprar algo procure comparar o melhor, não o barato. Pense em  se tratar de um investimento porém não se esqueça que a revenda pode ser dificil  se não for algum artista cuja obra é uma “blue chip”.

Monica FilgueirasDeixar de ter obras de arte na parede!!!! 

Eliana Benchimol - Comprar quadro combinando com o sofá, isto seria decoração e não início de coleção.

Qual é o público da arte contemporânea?

Para registrar radipinho: a artista-plástica Fernanda Eva [q acompanho faz tempo] tem realizado umas pesquisas interessantes sobre Arte e que depois viram videos como esse. Ela faz a pergunta e a gente responde. Eu participei desse video sobre qual seria o público da arte contemporânea. Para mim são todos aqueles que buscam uma compreensão do que vivem através das manifestações artísticas. E você, o que acha?

A arte é feita também de ‘Caras & Bocas’

Não é nenhuma novidade que a arte [tirando a tinta e o talento] faz muitas caras e bocas. Quando eu trabalhei na exposição retrospectiva da arte britânica da Tate Modern passei por momentos um tanto quanto constrangedores diante de obras praticamente inexplicáveis mas criadas por artistas bem bons no mis-en-scene.

E eis que o ‘mundinho encantado das artes’ vai ser retratado nova novela das 19h da TV Globo e vai se chamar Caras & Bocas do autor Walcyr Carrasco [amo uma outra novela dele: Xica da Silva]. Tem personagem artista, galerista, marchand, colecionador, mecenas e eu posso garantir que é nesse universo onde mais se faz caras [de tô entendendo tuuudo] e bocas.

Caras & Bocas estréia dia 13 de abril será ambientada na cidade de SP e adoro novelinha que se passa na minha cidade, sempre tem umas imagens cotidianas em ângulos inusitados.

A trama gira em torno do romance entre Dafne [Flávia Alessandra] e Gabriel [o bofe escândalo Malvino Salvador] que se conheceram em um curso de arte, se apaixonaram mas não ficaram juntos por armações das mal-amadas de plantão. Mas 15 anos se passam eles se reencontram…só que não vai ser assim tão simples… no mais é assistir para saber o que vai acontecer.

O que gostei de saber sobre a novela foi a bela sacada de terem colocado na história um macaco chimpanzé pintor [olha só, dá licença, viu minha gente que é contra o macaco na novela! ontem vi umas imagens e achei ele 'performático' um talento nato e zero judiação!!!]. Pode deixar que vou acompanhar a trajetória desse novo artista contemporâneo. Porque essa ‘arte animal’ faz a gente questionar um monte de coisas, não?….

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A Festa de Lançamento

A festa da novela foi no La Luna Club e era todinha temática, um arraso como todas as festas que a Globo promove. [eu tbém fui 'temática' bem acompanhada pelo meu  personal bofe artista-plástico @Souzacampus]

Já na entrada o que mais me chamou atenção foi uma tela mega com uns 3m x 3m enorme de grande e que estava sendo pintada e desenhada pela super habilidosa artista-plástica Sara Mello. [visite o blog dela com trabalhos lindíssimos- foi a descoberta mais bacana da festa]

Além de Sara, pintavam outro painel os grafiteiros Feno e Bonga – ambos do Espaço Criança Esperança e ainda estavam presentes os retratistas Giampaolo Kohler e Fhero Galdino Sá (q me corrigiu aqui nos comentários-segui o release q recebi sorry Galdino!) que fizeram umas caricaturas que ficavam de presente para os retratados.

Curti horrores! e pra ver mais fotos da festa a TV Globo montou um Flickr e tá tudo lá. A-D-O-R-E-I.

#meusmomentosabafaocasonafesta:

-eu quase fiz um ‘ÃH’ com jogação de cabelón pra Ingrid Guimaraes, sabe aquela coisa top model??

-acabei tirando uma foto com o Marcos Pasquim e as meninas @samegui e @renataruiz graças a agitação do @claudir_ segura

-de repente e do nada dei de cara com o sorridente Jorge Fernando (diretor da novela) que me deu a oportunidade de dar beijinho e um sinceríssimo parabéns astral!! pelo seu trabalho muito profissa [td que já fez e que faz sempre é de 1ª]

-e um quase-momento: o do beijo de fã que não dei no Christian Pior que estava na saída agitando como sempre, e isso porque se não fossem tantos shots que bebi, iguais esses em tubinhos de tinta na foto, e eu não estivesse tão super-tonta teria falado com ele de novo!! já que desde a festa da Paraíso não o via em total glamour searching for celebs-clique aqui e leiam mais sobre os drinkzinhos da festa]

EXS 09 -Expo Internacional de Sticker

O site novo da EXS 09 está no ar e já estamos recebendo os stickers para serem expostos no segundo semestre.

Se você é um criador de sticker art mande seu pack para Caixa Postal 941 Curitiba-PR Brasil 80011-970 até dia 30 de junho.

Como em 2008, a Expo Stickers começa sem data e local definidos mas acontecerá em Curitiba e São Paulo simultâneamente. [Patrocinadores  e apoiadores sejam bem-vindos!e participem dessa grande celebração]

E este ano fotos de stickers pela cidade também terão espaço na exposição. Mande suas fotos!

10 pãezinhos na Daslu

10 de março - Abertura da Exposição 10 pãezinhos, de Fábio Moon e Gabriel Bá, com curadoria de Monica Filgueiras na Daslu, loja 284

De ilustrações para a revista Daslu, os quadrinhos de Fábio Moon e Gabriel Bá viraram estampa para a coleção da nova marca jovem a 284 e que resultou agora numa exposição de originais dos desenhos no espaço que a grife ocupa no 2ºandar da Daslu!

Fiquei curiosa sobre o nome 10 Pãezinhos e perguntei para os irmãos que me contaram que quando eram crianças e iam à padaria pediam sempre 10 pãezinhos, daí que o pedido virou uma espécie de ‘expressão’ de conforto de infância e deu nome à expo que fica em cartaz até o fim do mês

Os desenhos que eu mais gostei foram os da série O Alienista [que também estão entre os preferidos do deles e que não estão à venda]. Mas tem lindos originais assinados para quem quer começar uma boa coleção de comics e lá todos os livros publicados pela dupla também estão disponíveis para compra.

Aqui tem umas fotos dos moletons [são bem lindos mesmo]. Preços a partir de R$168,00, vale quanto pesa!

ps.: Encontrei a Jana, de blog novo- foi ela q tirou essa foto minha aí embaixo com essa adorável armação branca sem lente pra galeria Panicats no Navio! A-D-O-R-O. E revi também outro super quadrinista que fazia décadas não via o Raffa Coutinho. Aqui o blog dele que é ótimo!

Matthew Barney na Escola São Paulo

“Barney é, em última análise, o mais importante artista americano de sua geração, porque sua imaginação é enorme”. The New York Times

Eu acrescentaria que a loucura de Barney não tem limites! Sente só um trecho do video que ele fez no Guggenheim de NY, o famoso Cremaster

Uma info dispensável mas interessante: ele foi casado por 6 anos com a uber-nonsense-lúdica cantora Bjork de quem se separou em 2008.

Daí que achei bem bacana a iniciativa da Escola São Paulo de promover essa mostra Matthew Barney. De 3 a 13 de março, seg a sex das 10h às 22h, sab de 10 às 19h com sessões às 12h, 16h, 18h e 20h

Eu vou!

10 a mil

Aline van Langendonck e Marcela Tiboni são duas artistas e amigas queridas! Elas estão juntas numa coletiva que reúne outros ótimos nomes e é realizada pela Escola São Paulo que além de expor venderá obras.

Ideal para quem quer iniciar uma boa coleção de arte contemporânea, com preços de trabalhos que vão de R$25,00 a R$10.000.

A abertura será dia 10 de dezembro das 18h às 22h. Em cartaz até fevereiro!!

Bienal Not Good Enough

Vazia ou pichada, a Bienal ainda assim não é boa o suficiente pra ela! Adriana Xiclet sempre agitando com suas exposições provocativas, um contra-ponto às mega-blockbusters exposições by mainstream.

Essa é uma das propostas da Casa da Xiclet: agitar! Uma galeria de arte diferenciada que abriga a novíssima geração da arte contemporânea paulistana. Muitos amigos que estudam e estudaram Artes-Plásticas na Faap, Belas Artes, Unesp e muita gente auto-didata também expõe seus trabalhos nessa galeria loucamente harmoniosa.

Se você ainda não conhece a Casa da Xiclet vai lá um dia desses. Será muito bem recebido pela própria anfitriã.  Eu já fui vizinha dessa casa, a mais bacana da Vila Madalena! Aliás, vai hoje porque tem abertura da 3ºparte da BIENAL: TÔ CHEIA – NOT GOOD ENOUGH. Convite abaixo:

28′Bienal de São Paulo


28′Bienal de São Paulo
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Não é um vazio é um vácuo.
E tenho o dito.

Quando a rua é confinada


stencil – o – rama 2
Originally uploaded by leonardo.tura

Hoje de manhã recebi um email do Ozi Duarte, figura que considero muitíssimo, artista sensacional que tem uma trajetória admirável no grafite e no stêncil.

O email era sobre a exposição que rola no MIS a i/legítimo, que inclusive planejava ver. Ainda vou ver.

Vinha um texto do Jaime Prades sobre esta exposição.

O que mais me tocou neste foi o fato de que como uma proposta tão bacana pode ser implodida por quem produz e deixar os artistas e suas obras relegados a uma quase citação cenográfica. Enfim, ta aí o contra-senso.

Expor não é simplesmente colocar coisas expostas. É respeitar o conceito daquilo que se expõe, a cultura de quem procura por aquela informação (pra mim arte é informação) e obviamente o artista e aquilo que foi acordado entre as partes…

Como trabalho com produção de exposições acho importante essa reflexão.

Eu sempre gosto de saber sinceramente o que acharam dos trabalhos que faço, vou em comunidades, leio o que estão falando, não diretamente para mim, se é que me entendem…eu procuro as opiniões isentas.

O que será que o MIS tem a dizer? Como não tô aqui de jornalista não me sinto na obrigação de ir atrás de ouvir a versão deles…Mas o espaço tá aberto e se quiserem comentar não haverá censura!

Enfim, o texto está aqui na íntegra, autorizado pelo próprio Jaime Prades a publicação.

A legitimidade das ruas
A história que ainda não foi contada sobre o grafite de São Paulo.

de Jaime Prades, pintor, escultor, artista de rua, designer gráfico e inventor de coisas variadas

Estavamos no começo da década de 80. As sirenes dos camburões da polícia militar rasgavam as avenidas da cidade. Quem viveu esses anos lembra-se da cena típica de criação de pânico - assustadoramente estudada - com os “meganhas” pendurados para fora dos furgões Chevrolet armados até os dentes e batendo na lataria das portas de forma insana como cães raivosos, no melhor estilo dos quadrinhos do Luis Gê.

As ruas eram um território dominado pela brutalidade e ignorância das forças armadas que sistematicamente alimentavam o medo nos espaços públicos e davam o tom de pavor no palco urbano. Mais de uma vez esse teatro patético de última categoria terminava em tragédia e gerando vítimas reais. Era o Brasil do final da ditadura e as ruas, as de São Paulo.

Da janela do ônibus lotado, voltando para casa carregando minhas coisas e meus 23 anos nas costas, em 1981 vi pela primeira vez um grafite do Alex Vallauri. Não estou falando de frases escritas que sempre existiram e existirão, imagino. Refiro-me a desenhos e bem gráficos: uma acrobata dando uma pirueta, quase um carimbo, uma bota sexy, um telefone estampado na parede…para falar com quem? Comigo?…

Anos depois descobri que essa acrobata é um detalhe de um quadro de Georges Seurat “O circo” de 1891 hoje no Musée d’Orsay de Paris. Alex, com o seu olhar erudito de gravador, indo além da releitura arrancou esse detalhe e o estampou por São Paulo e Nova York. Só essa citação nos permite criar associações e perceber a poética e a consciência da atitude do artista quando foi para a rua.

Alex Vallauri (1949/1987) foi o primeiro artista de rua do Brasil. Dessa nova arte urbana que hoje domina o cenário internacional e traz oxigênio para as artes plásticas.
Ele ultrapassou a fronteira invisível que separa o público do privado; o instituido do libertário; o templo da rua. E enfrentou o poder de exclusão do sistema de arte exercitando o poder de criar seu próprio espaço. Alex foi o primeiro a ter um trabalho público sistemático e a nos surpreender com seus comentários visuais.

Qualquer país que valorize sua própria cultura e se orgulhe de seus artistas nunca deixaria que um artista com o seu valor tivesse sua obra canibalizada e seu trabalho à beira do esquecimento.
Até hoje não temos sequer um livro e uma grande exposição sobre a sua obra.

Aqui no Brasil, como em muitas culturas que foram dominadas e sofreram isolamento, ainda há muito desprezo pelo que é original. Esse traço colonial ainda sobrevive escondido, embora perceptível, no abandono do que não é avalizado pela Europa ou pelos EUA. Em outras palavras: o que tem valor é o que faz sucesso lá fora. Até hoje não foi escrito um texto crítico decente sobre o grafite na década de 80. A instalação do MIS mostra mais uma vez o descaso e a incompreensão do que fizemos.

Voltando para a nossa história, que é a que deve ser contada aqui. Na linha de frente Alex abriu a arte urbana e como o rastro de um cometa uma geração de artistas seguiu e expandiu o seu caminho mudando definitivamente a arte brasileira.

A distância do tempo permite-nos visualizar alguns momentos mais definidos dessa história. A partir de Alex a arte de máscara (papel recortado) com spray (stencil art) foi a que predominou nessa primeira fase. A rapidez para realizá-los e o grande efeito dos “carimbos” possibilitaram que esses pioneiros driblassem a polícia, o que não era brincadeira.

Carlos Matuck, Waldemar Zaidler, Maurício Villaça, Hudinilson Jr., Vado do Cachimbo, Ozéas Duarte e Julio Barreto são os representantes legítimos dessa linguagem.

Eu entro nessa história em 1983, quando atendo o telefonema que o Alex mandou naquele seu grafite:
-alô, quem fala?
-oi, aqui é o Tupinãodá…
-Tupinãodá?

Pois é, Tupinãodá… o que que é isso?
Um grupo de artistas pensando o espaço público.

A primeira formação dos seus fundadores: Zé Carratü, César Teixeira, Eduardo Duar e Milton Sogabe que com os geógrafos Antonio Robert de Moraes e Armando Correia da Silva da USP pensavam o espaço urbano e formas de interferências públicas.

O nome Tupinãodá é de um poema de Antonio Robert de Moraes que diz:

“Você é Tupi daqui
Ou Tupi de lá,

Você é Tupiniquim
ou Tupinãodá?”

A partir desse momento até 1989, apesar do grupo contar com muitos colaboradores, participantes esporádicos e convidados, a dupla que se manteve como eixo central foi
Zé Carratü e Jaime Prades, que nos últimos anos contaram com a presença permanente de Carlos Delfino. Fomos nós 3 que fizemos a histórica exposição do Tupinãodá na galeria Subdistrito em 1988 convidados por Rubem Breitman e João Satamini e no Museu de Arte Contemporânea MAC/USP em 1989.

O Tupinãodá foi o primeiro coletivo de artistas de rua do Brasil.

Em 1987, unidos por Alex Vallauri e Maurício Villaça no evento “A trama do gosto” da Fundação Bienal de São Paulo eu, Zé Carratü, Carlos Delfino, Rui Amaral, Alberto Lima e Claudia Reis saímos de lá decididos a conquistar as paredes públicas dos túneis que ligam a Av. Paulista às Avenidas Rebouças e Dr. Arnaldo, quando fizemos os primeiros mega grafites da história contemporânea brasileira, e à luz do dia.

Máquinas, seres, labirintos, estruturas, cidades, dragões surgiram do nada e até hoje estão na memória de todos os que pássaram por lá. Toda uma geração de crianças na época, que hoje tem entre 25 anos ou mais, lembram delas. O impacto dessas pinturas feitas na raça com a cara e a coragem trouxeram para a nossa comunidade uma arte até esse momento numa dimensão desconhecida até por nós que as realizamos.

A rua foi um catalizador, nossa experiência ao fazê-las era aberta, não sabíamos onde chegaríamos. Criamos um repertório de símbolos e signos que se replicavam e ocupavam o espaço arquitetônico modelando-se sobre as paredes.

Jean Dubuffet - o grande artista francês fundador da “art brut” - é na minha opinião a referência essencial e precursor da arte urbana de grande escala. Ele conceituou o processo criativo de continuidade como “fluxo de consciência”. Esse fenômeno de permitir que a mente canalize a expressão como um fluxo tendo ao mesmo tempo consciência sobre isso é um processo criativo que de certa forma atemoriza algumas correntes artísticas que têm muita dificuldade em lidar com tudo que não deve ser controlado totalmente.

Quando o fazer artístico se atreve a soltar as amarras do intelecto e a aventurar-se nos planos da experiência unificando-se num estado de integração plena em uma espécie de meditação ativa, não pode haver controle total. Esses artístas são os que têm a coragem de pular do abismo sabendo que depois de pular não tem volta.

Estou aqui contando essa história porque, hoje mais de 20 anos depois, na exposição “i/legítimo: dentro e fora do circuíto” que inaugurou no sábado dia 18 de outubro passado e ficará aberta a visitação até dia 11 de Janeiro de 2009 no Museu da Imagem e do Som de São Paulo/MIS (www.mis-sp.org.br), o espaço dedicado a todo esse movimento vital na transformação da arte urbana brasileira, é um retângulo de 3 x 1,5 m.

Diante de tamanho desafio o curador convidado pelo museu, Marcos Mello, tentou fazer o impossível além de arrancar os cabelos. Como reduzir o projeto inicial, acordado com o museu de uma mega exposição sobre a história do grafite da década de 80 que ocuparia todo o MIS, para um espaço com menos de 5 m²?

Apesar de toda sua boa vontade e esforço a maneira como a pequena instalação está colocada diante do resto da mostra dá a impressão que está ali porque não deu para nos por para fora. Tentando explicar melhor a situação, se o museu fosse uma mansão gigante, um duplex último modelo, o espaço destinado à nós - quero dizer do Alex até o final que ainda não contei, mais de 10 anos de arte urbana - seria do tamanho do quarto de empregada. Mas aquele quarto de empregada minúsculo, cruel, para ela dormir em pé.

Mais uma vez a ironia apresenta-se neste artigo: como nós que conquistamos espaços enormes nas ruas da cidade, totalmente expostos, vulneráveis, sujeitos a violência, ataques, prisões, estamos alí num cubículo claustofóbico, humilhante, injusto, ilegítimo?

Que tipo de análise e visão pode atrever-se a nos espremer numa espécie de esquife, de caixão mortuário, ainda vivos? Vivíssimos, diga-se de passagem, já que muitos de nós estamos mais ativos do que nunca como artistas urbanos e plásticos.

Será que nosso trabalho ainda tem o poder de incomodar tanto uma certa elite do sistema de arte que até agora não entendeu nada do que fizemos, ou não quer reconhecer, ou, pior, trabalha para desacreditar nossas conquistas?

Seja lá o que for é uma injustiça com o público. É eticamente condenável impedir que as novas gerações saibam a importância do que aconteceu e tenham acesso à verdadeira história.

Que estas palavras tenham repercussão e cheguem a mentes mais generosas e inteligentes é a intenção deste texto. Todos aqueles que participaram desse momento e guardam na sua memória a experiência dos nossos grafites sabem que, naquele momento, traduzimos em imagens a transformação que vivíamos na nossa sociedade após anos de repressão.

Para concluir, a partir de 1990, como uma espécie de fermento descontrolado as gangues da periferia, que também experimentavam o processo democrático, começaram a pixar tudo. Nossos trabalhos foram os primeiros a tombar…e a cidade foi tomada pelos pixadores. Só anos depois que uma nova geração tomou conta da arte de rua.

E essa história está só começando.